júri caso Maragogipe

Júri de acusada de envenenar mãe e duas filhas em Maragogipe é adiado pela 8ª vez

MARAGOGIPE Nagé

Julgamento de Elisângela Almeida Oliveira estava marcado para esta quarta-feira (7), em Salvador, mas foi suspenso após a defesa informar que ela passará por cirurgia; nova data foi marcada para 2 de dezembro

O julgamento de Elisângela Almeida Oliveira, acusada de envenenar e matar uma mãe e suas duas filhas em Maragogipe, no Recôncavo Baiano, foi adiado pela oitava vez. A sessão estava prevista para esta quarta-feira (7), no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador.

Segundo informações divulgadas nesta quarta-feira, a defesa comunicou à Justiça que Elisângela está passando por um procedimento cirúrgico e, por isso, não poderia comparecer ao Tribunal do Júri. Com o novo adiamento, o julgamento foi remarcado para 2 de dezembro de 2026.

O caso envolve as mortes de Adriane Ribeiro Santos, de 23 anos, e das filhas Greisse Santos da Conceição, de 5 anos, e Rute Santos da Conceição, de 2 anos, ocorridas em 2018.

Três mortes em aproximadamente 15 dias

As três vítimas morreram em um intervalo de aproximadamente duas semanas, entre o final de julho e agosto de 2018.

Greisse foi a primeira a passar mal e morreu após ser levada para atendimento médico. Dias depois, Rute apresentou sintomas semelhantes e também morreu. Em seguida, Adriane passou mal e não resistiu.

A sequência de mortes levantou suspeitas e levou a Polícia Civil a investigar a possibilidade de envenenamento. Segundo reportagens sobre a investigação, exames identificaram inseticida de uso agrícola em amostras relacionadas às vítimas e em materiais encontrados na residência da família.

O cachorro da família também morreu no mesmo período, fato que chamou a atenção durante a investigação.

Acusação aponta possível interesse pelo marido da vítima

De acordo com a investigação policial, Elisângela era próxima da família e frequentava a residência das vítimas. A polícia apontou como possível motivação um suposto interesse dela por Jeferson Brandão, companheiro de Adriane e pai das duas crianças.

A investigação sustenta que um conflito entre Elisângela e Adriane teria ocorrido antes das mortes e que a acusada teria colocado o inseticida em alimentos consumidos pelas vítimas.

Jeferson foi o único integrante da família que sobreviveu.

Acusada está em prisão domiciliar

Elisângela está em prisão domiciliar desde abril de 2024, após a Justiça acolher pedido da defesa relacionado à necessidade de tratamento médico especializado.

A medida foi acompanhada do uso de tornozeleira eletrônica e de restrições para deixar a residência, com saídas condicionadas a atendimentos médicos autorizados.

Acusação contestou novo adiamento

O novo adiamento provocou reação da assistência de acusação.

Segundo o advogado Bruno Torres, que representa o pai das crianças, a assistência de acusação e o Ministério Público questionaram o pedido apresentado pela defesa. Entre as alternativas discutidas estavam a participação da acusada por videoconferência ou a realização da sessão sem a presença dela, conforme previsão mencionada no artigo 457 do Código de Processo Penal.

As alternativas não foram aceitas e o julgamento acabou sendo novamente adiado.

Tia das vítimas relata suposta nova tentativa de envenenamento

No mesmo dia em que o julgamento deveria ocorrer, Ana Paula Brandão, tia das duas crianças, fez uma nova acusação em entrevista ao A TARDE.

Segundo ela, em 2025 uma mulher teria procurado a família para relatar uma suposta tentativa de envenenamento envolvendo Elisângela e outra mãe com duas crianças, em Salvador.

O relato envolve um bolo que teria sido preparado pela acusada e que a possível vítima não teria consumido após reconhecer Elisângela.

O advogado da acusação afirmou que o episódio chegou a ser denunciado e investigado, mas não houve prosseguimento por falta de provas suficientes. Segundo ele, a denúncia foi anexada ao processo e poderá ser utilizada pela acusação no julgamento.

O episódio de 2025, porém, é uma alegação e não uma condenação ou fato judicialmente comprovado. Por isso, deve ser tratado com cautela.

O que acontece agora?

Com o novo adiamento, o processo permanece sem julgamento quase oito anos depois das mortes.

A nova data prevista para o Tribunal do Júri é:

Data: 2 de dezembro de 2026
Local: Fórum Ruy Barbosa, Salvador
Acusada: Elisângela Almeida Oliveira
Vítimas: Adriane Ribeiro Santos, Greisse Santos da Conceição e Rute Santos da Conceição

O caso está inserido em um período de ampliação das sessões do Tribunal do Júri na Bahia. O TJBA mantém, em 2026, a terceira edição do projeto TJBA Mais Júri, iniciativa voltada ao aumento da realização de julgamentos de crimes dolosos contra a vida.

Até o momento, não houve julgamento nem condenação de Elisângela neste caso. Ela permanece juridicamente como acusada, e a responsabilidade criminal deverá ser decidida pelo Conselho de Sentença quando o júri for realizado

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