Em um marco histórico para o município de Maragogipe e para o movimento negro brasileiro, as comunidades de Capanema e Pijuru receberam, oficialmente, o Certificado de Reconhecimento como Comunidades Remanescentes de Quilombo. O anúncio foi feito em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, reafirmando a identidade e a luta de um povo que é herança viva da ancestralidade africana na Bahia.
A certificação foi concedida pela Fundação Cultural Palmares, conforme a Portaria FCP nº 367, de 18 de novembro de 2025, publicada no Diário Oficial da União. Este reconhecimento formaliza o que a história e a resistência já atestavam: Capanema é quilombo.

Reparação Histórica e Proteção Territorial
Mais do que um documento, o certificado é um instrumento de reparação histórica e de proteção territorial para as mais de 500 famílias e 1.500 pessoas que compõem a comunidade. Com o título, o território tradicional negro de Capanema e Pijuru, guardião de saberes, cultura e ancestralidade, passa a ter acesso a políticas públicas específicas e tem sua identidade étnica e cultural valorizada.

O reconhecimento garante:
- Proteção Territorial: Salvaguarda contra ameaças e garante a permanência das famílias em seu território tradicional.
- Acesso a Direitos: Abre caminho para a implementação de políticas públicas nas áreas de educação, saúde, infraestrutura e desenvolvimento sustentável.
- Afirmação da Identidade: Fortalece a organização social e a autoestima da comunidade, projetando seu futuro com base em suas raízes.
Uma Conquista Coletiva e Honrada
A vitória é fruto de uma intensa e dedicada caminhada coletiva. O processo de certificação foi capitaneado pela Associação Pérola Negra, Katia Santos, em parceria com a Enseada Indústria Naval, representada por Morgana Carregosa. A iniciativa envolveu a articulação política, técnica, documental e comunitária necessária para a conclusão do processo junto aos órgãos competentes.

A comunidade também celebrou o papel fundamental da Associação MARIQUILOMBO de Capanema, que representa com dignidade e coragem as vozes do quilombo, mantendo viva a organização social e a luta pela autonomia. A coordenadora da Mariquilombo, Maria Rira Pires, é um símbolo dessa resistência.
A gratidão se estende à Fundação Cultural Palmares, que, ao emitir a portaria, reconheceu formalmente a importância desse território como patrimônio vivo do povo brasileiro.
Dia de Festa e de Resistência
O dia 20 de novembro, Dia de Zumbi e Dandara, foi escolhido para celebrar esta conquista, que honra a memória de líderes como Janete Barbosa e a própria Maria Rira Pires, e de cada família que resistiu.
A certificação de Capanema e Pijuru é um gigante passo para Maragogipe e para o Recôncavo Baiano, reforçando o papel das comunidades tradicionais na preservação da cultura e na luta por direitos.
A luta continua, mas hoje, a vitória é da comunidade. Axé!
Para mais informações:
- Associação Pérola Negra Katia Santos: (71) 99967-7084
- Assessoria de Comunicação Mariquilombo: (71) 99216-9555
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